Enclausurado
Título: Enclausurado
Editora: Cia das Letras
Páginas: 200
Ano: 2016
Gênero: Romance
Pense em uma história contada por um
feto. Exatamente!!! Um bebê ainda na barriga da mãe contando a história de um
crime que esta prestes a acontecer. E não é qualquer feto, com um toque
shakesperiano, o bebê é sarcástico, inteligente, sagaz e um narrador de
primeiro.
Enclausurado traz a história de Trudy e Claude, um
casal que planeja assassinar o ex-marido de Trudy, irmão de Claude, para herdar
sua propriedade. Entretanto, a singularidade da trama não está nessa simples
premissa, mas sim no fato de Trudy estar grávida e todo o enredo ser
narrado pelo bebê que ela carrega.
Além de contar a história, o feto critica e reflete sobre
os acontecimentos e personagens, além de buscar uma forma de evitar o
assassinato de seu pai.
Ian McEwan parte do impossível, fazendo com que tudo, a
partir de então, seja possível naquele universo. E ainda que o útero que abriga
o narrador permita esse mundo infinito de possibilidades, o que ocorre fora
dele permanece verossímil e coerente com a realidade que vivemos e conhecemos.
O tom da narrativa de Enclausurado é notadamente irônica,
o que intensifica ainda mais os efeitos provocados pelo narrador, já no estagio
final de desenvolvimento intra-uterino, adquire uma sabedoria como a de alguém
em idade avançada.
Assim o narrador é articulado, extremamente culto,
politizado e informado (a partir do que ouve de dentro da barriga de sua mãe) e
fala sobre os acontecimentos do inicio de seu desenvolvimento há apenas poucos
meses, como um adulto que, ao olhar para seu passado, discursa sobre seu
crescimento e aprendizagens em vida.
Não bastasse sermos completamente cativados para a
leitura desde os primeiros parágrafos de Enclausurado justamente por conta de
sua força narrativa, somos atraídos também pela história desenvolvida entre as
personagens, desejosos por saber se serão ou não bem sucedidas no homicídio.
Dessa maneira, é muito fácil e gratificante prosseguir na
leitura.




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